Porta trancada, sentinelas entre abertas. Ao medo fiz a promessa de alimentar a dúvida. Olhos se esquivavam lado a lado ao observar de um horizonte que pairava sob uma casa em ruínas, clamando por desabamento. Naquele ponto era impossível desconfiar. A morte, inequívoca e discreta, já estava a me vigiar. Aos meus arredores, limites da companhia expressos no vasto plantio de uma fazenda tornavam tudo uma só dor. A solidão reinava, o céu chorava. Sua angústia era tanta que aos poucos deixou o monstro adentrar rumo a meu lar. Silenciosos passos se concretizavam em direção a minha alma que cada vez mais se preenchia de vazio. Aos primeiros passos o medo. No fim do caminho a indiferença. O destino já havia se traçado antes mesmo de pôr os pés neste deprimente e lastimável mundo. Ao que tudo indica tudo se resumiria a isso, a mais intensa das dores intensas. Por fim, uma maçaneta de porta virando traçava meu destino. Meia porta se abre. Encontro vocês do outro lado.
Armando Albuquerque
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