quarta-feira, 20 de julho de 2022

Orgulho e Saudade

  

  Não imagino a dor que a vocês causei. De quem era acostumado com a simples presença não tão próxima que se preenchia no quarto ao lado, ou na simples troca de energia que se dava nos esbarros em qualquer das esquinas. Por trancos e barrancos nos distanciamos daquilo que à nós mesmos prometemos cuidar. Meu peito hoje grita por saudade mas logo sucumbe em prol do orgulho que por vezes se faz mais forte nesses dias de tristeza aguda. Lágrimas e lágrimas se despejam sob um travesseiro já corroído por sonhos agora longes de qualquer fé que um dia ousei depositar. Tudo soa nefasto, tudo parece morto. Portas fechadas e fechaduras trancadas nessa casa que hoje vive dias de ruína e decadência. O espírito que por tanto acompanhou as tardes repletas de euforia e alegria hoje vive vagando por aí desolado por Deus e retaliado pelos seus metais. No fim, não há recanto que conforte o coração daquele que foi dilacerado aos montes e sem dó, restando apenas conviver com o amargo cotidiano que só o mais forte dos orgulhos proporciona viver. Uma porta se fechou e não mais se abriu. 

Armando Albuquerque

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